Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo

Atua na defesa dos Institutos Públicos de Pesquisa Científica do Estado de São Paulo

O que resta após o colapso

Afonso Peche Filho* O colapso raramente acontece em um único instante; ele amadurece, se infiltra silenciosamente nas estruturas e só se torna evidente quando o estrago já é irreversível. No cenário futurista aqui imaginado, o desmonte das instituições de pesquisa não se dá pela força das armas, mas pela lenta corrosão das suas bases: o […]

Incertezas éticas na pesquisa

Afonso Peche Filho* A pesquisa científica é frequentemente apresentada como o território da objetividade, da racionalidade e do compromisso com a verdade. No entanto, na prática institucional, a ciência é produzida por pessoas inseridas em estruturas hierárquicas, políticas e econômicas que influenciam decisões, silêncios e prioridades. Nesse contexto, as incertezas éticas não surgem apenas da […]

O Desperdício de Talentos

Afonso Peche Filho* O desmantelamento de institutos de pesquisa raramente ocorre de forma abrupta ou declarada. Ele se instala de modo silencioso, cumulativo e estrutural, por meio da desvalorização simbólica, da precarização das condições de trabalho, da ausência de projetos institucionais de longo prazo e da substituição do pensamento crítico por mecanismos automáticos de validação […]

Tradição como defesa

Afonso Peche Filho* A tradição institucional, construída ao longo de décadas de produção científica, formação de quadros técnicos e contribuição efetiva ao desenvolvimento nacional, sempre foi um dos pilares de legitimidade dos institutos públicos de pesquisa no Brasil. Ela simboliza competência acumulada, memória técnica, reconhecimento social e autoridade científica. Contudo, em contextos prolongados de desinvestimento, […]

A Dependência da Ciência

Afonso Peche Filho* A ciência moderna construiu, ao longo de séculos, a narrativa da autonomia intelectual como um de seus pilares centrais. O cientista é frequentemente representado como sujeito independente, guiado pela razão, pela evidência e pela ética do conhecimento. No entanto, essa imagem, embora inspiradora, esconde uma verdade estrutural incômoda: a ciência é profundamente […]

Quando a ciência subsidia limites

Afonso Peche Filho* Quando a ciência subsidia limites, ela entra na arena dos interesses: não por ser “partidária”, mas porque seus resultados orientam decisões que deslocam recursos, impõem restrições e alteram benefícios. A disputa, quase sempre, não é sobre a existência dos fatos, mas sobre quem se adapta, quanto custa e quem paga. É por […]

Desconfiança como novo estado natural

Afonso Peche Filho* Há momentos históricos em que a desconfiança deixa de ser uma reação pontual e se torna atmosfera. Ela não aparece como um ato explícito, mas como um pano de fundo constante, um “clima” que contamina decisões, reduz horizontes e altera silenciosamente o comportamento coletivo. Na pesquisa brasileira e, de modo particularmente agudo, […]

A fragilidade da ciência

Afonso Peche Filho* A ciência é frequentemente apresentada como uma fortaleza: um sistema de métodos, evidências e revisões capaz de se autocorrigir e avançar, mesmo sob críticas. Em parte, isso é verdade. Mas há um ponto que costuma ser omitido quando se fala em “neutralidade” e “objetividade”: a ciência é, ao mesmo tempo, uma construção […]

Ameaças na Pesquisa Agropecuária em São Paulo 

Marco Antonio Teixeira Zullo é pesquisador e ex-Diretor Geral do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) Há cerca de trinta anos o engenheiro agrônomo Plínio Ribeiro dos Santos Filho, servidor na Seção de Finanças do Instituto Agronômico, apresentou sua dissertação de mestrado (1) à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em que analisava a distribuição de recursos à pesquisa agropecuária do estado de São Paulo entre 1970 e 1990. Embora a […]

A Solidão dos Cientistas

Afonso Peche Filho* A solidão científica é um sintoma silencioso da crise contemporânea da ciência. Muitos pesquisadores percorrem diariamente laboratórios vazios, instituições fragilizadas e agendas pressionadas por métricas que desumanizam a pesquisa. A ciência, que deveria nascer da colaboração, da troca e da construção coletiva, transforma-se progressivamente em uma trajetória individualista, marcada pela competição, pela […]