Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo

Atua na defesa dos Institutos Públicos de Pesquisa Científica do Estado de São Paulo

APqC participa de debate na Câmara Municipal de Campinas: “Sem ciência pública, quem perde é você”

Na última quinta-feira (07/05), a Câmara Municipal de Campinas foi palco de um diálogo direto com a população sobre o enfraquecimento dos institutos públicos de pesquisa em São Paulo. Promovido pela vereadora Guida Calixto em parceria com entidades científicas e sindicais, entre elas a APqC, o encontro trouxe à tona dados, críticas e caminhos para defender a ciência como direito coletivo.

Com o tema “Sem Ciência Pública, Quem Perde é Você: Entenda o que está acontecendo em SP”, a mesa reuniu Helena Lutgens (presidenta da APqC), Joaquim Avelino (diretor da APqC), Silvia Gatti (Adunicamp), Rogério Bezerra da Silva (Radar Democrático), Priscila Leal (SINTPq) e a vereadora proponente.

O principal alerta veio da situação orçamentária. Joaquim Avelino, diretor da APqC, resumiu o cenário: “A redução contínua do orçamento da Secretaria de Agricultura empurra os institutos para uma dependência cada vez maior de convênios com a iniciativa privada. Na prática, pesquisas de interesse público ficam em segundo plano, enquanto projetos alinhados ao mercado ganham prioridade.”

Ele também citou o decreto estadual de fevereiro que extinguiu cargos da carreira de apoio à pesquisa. “Com menos estrutura e equipes reduzidas, pesquisadores enfrentam dificuldades para manter atividades essenciais funcionando”, afirmou.

Helena Lutgens, presidenta da APqC, foi direta ao associar o sucateamento a uma escolha política. “A falta de reposição de pessoal e o sucateamento dos laboratórios não são acidentes. Há uma tentativa de transformar o conhecimento, que deveria ser um bem comum, em mercadoria.”

O debate também serviu como um chamado à resistência democrática. “Defender a ciência pública em São Paulo é um ato de soberania. Precisamos de uma ciência que dialogue com os movimentos sociais, com os trabalhadores e com as periferias”, concluiu Rogério Bezerra.

A audiência reafirmou que o enfraquecimento dos institutos não afeta apenas pesquisadores, mas toda a sociedade – especialmente a autonomia tecnológica do país. Como lembrado durante o encontro, foram pesquisadores paulistas que desenvolveram tecnologia agrícola para o solo brasileiro, vacinas para o povo e segurança alimentar para as mesas do país.

A APqC segue mobilizada e considera o debate em Campinas um passo na construção coletiva para fortalecer a ciência pública como direito de todos.

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