
“O que está em curso em São Paulo não é uma simples reestruturação administrativa. É mais um capítulo do desmonte sucessivo da pesquisa pública paulista.” O alerta foi feito na última quarta-feira (6) pela presidente da APqC, Helena Dutra Lutgens, durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), promovida pela Frente Parlamentar em Defesa das Universidades Públicas e Institutos de Pesquisa, coordenada pela deputada Beth Sahão.
Na mira do governo estadual, o Decreto 70.410/2026, que prevê a extinção de milhares de cargos ligados aos institutos de pesquisa do Estado. São postos estratégicos em áreas como saúde, agricultura e meio ambiente — setores responsáveis por produzir conhecimento, monitorar riscos epidemiológicos, desenvolver tecnologias e responder a emergências que afetam diretamente a população.
“Não se trata de enxugamento administrativo. Trata-se de desmonte”, afirmou Lutgens. A falta histórica de concursos públicos já compromete a reposição de quadros técnicos e científicos. Agora, com o avanço de medidas que fragilizam ainda mais essas estruturas, a continuidade de serviços essenciais e a capacidade do Estado de produzir ciência de interesse público estão sob ameaça real.
A isso se somam a tentativa de venda da sede da antiga Sucen e o projeto de destruir o Instituto Adolfo Lutz para dar espaço ao chamado “hospital inteligente”. Para a APqC, o conjunto das medidas aponta um mesmo sentido: o esvaziamento deliberado da pesquisa estatal paulista.
A audiência, realizada no Auditório Franco Montoro, reuniu servidores, pesquisadores e representantes da sociedade civil. A presidente da APqC reforçou a necessidade de mobilização permanente e de resistência organizada contra o que classificou como “ataque sistemático à ciência feita com recursos públicos e em favor do interesse coletivo”.
A APqC acompanhará os desdobramentos do decreto e as demais iniciativas que atingem os institutos de pesquisa, e continuará denunciando os impactos de cada novo golpe contra o serviço público e o conhecimento produzido no Estado de São Paulo.