Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo

Atua na defesa dos Institutos Públicos de Pesquisa Científica do Estado de São Paulo

Governo de São Paulo publica edital para contratar pesquisadores, mas ignora unidades de conservação no interior e no litoral

Concurso atende à determinação do ministro Flávio Dino, do STF, para recompor a pesquisa científica no Estado

Campinas, 20 de outubro de 2026 – O Governo de São Paulo publicou, nesta segunda-feira (19), edital de concurso público para contratação de 98 pesquisadores científicos em matéria ambiental, mas nenhuma das vagas está direcionada às unidades de pesquisa localizadas no interior e no litoral paulista, onde se encontram importantes unidades de conservação e outras áreas protegidas. Em reunião realizada no mês passado, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) alertou a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) sobre a importância de não concentrar as vagas na Capital.

“A distribuição das vagas pelo interior e litoral considera, inclusive, o princípio constitucional da descentralização da pesquisa pública científica. Não faz sentido recompor o quadro de pesquisadores sem considerar onde a pesquisa precisa ser realizada, já que São Paulo possui um patrimônio científico e ambiental distribuído por diferentes regiões”, afirma a Dra. Helena Dutra Lutgens, presidente da APqC.

O edital estabelece como locais de atuação dos novos pesquisadores do Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) na cidade de São Paulo, como o Horto Florestal, na zona norte, e o Jardim Botânico, na zona sul. 

“A pesquisa ambiental não pode ser tratada como uma atividade eventual, realizada por profissionais que visitam uma área e depois retornam à capital. É fundamental criar um vínculo entre o pesquisador e o território, permitindo o desenvolvimento de estudos continuados, a formação de equipes e o acompanhamento das transformações ambientais ao longo dos anos. Essa presença também contribui para o desenvolvimento regional, porque aproxima a ciência das necessidades e dos desafios enfrentados pelas comunidades locais”, reforça a presidente da APqC, que também prevê aumento de custos para o Estado com a concentração de vagas na Capital.

“Viagens, hospedagens e diárias de alimentação tornarão a atividade mais cara ao Estado, além do custo de vida na cidade de São Paulo ser significativamente maior, o que pode desestimular candidatos aprovados e até provocar desistências da carreira”, alerta Helena.

A realização do concurso atende a uma determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito A realização do concurso atende a uma determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1201, que questiona a extinção dos Institutos Florestal, de Botânica e Geológico, promovida pelo Governo de São Paulo em 2020. Na ADPF, o PSOL também cita o fechamento de 100 escritórios regionais do Departamento Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DEPRN).

Em novembro do ano passado, após audiência pública realizada no STF, na qual a advogada Helena Goldman representou a APqC, o ministro determinou que o Estado apresentasse um plano de recomposição do quadro de pesquisadores ambientais, incluindo metas verificáveis, cronograma de concursos públicos e medidas para reestruturação das carreiras técnicas.

A decisão reconheceu os impactos da redução do número de pesquisadores científicos sobre a capacidade do Estado de realizar monitoramento ambiental, conservar a biodiversidade e desenvolver pesquisas necessárias ao enfrentamento das mudanças climáticas.

Em março deste ano, o governo estadual anunciou a abertura das 98 vagas para pesquisadores científicos. Apesar do concurso, as novas contratações não vão cobrir o déficit de pesquisadores na área, que hoje é de 158 vagas. 

Áreas de experimentação devem retornar à pesquisa

A ausência de vagas destinadas ao interior também ignora outra decisão judicial, de julho deste ano, que determinou o retorno ao Instituto de Pesquisas Ambientais de áreas de pesquisa transferidas à Fundação Florestal após a extinção do Instituto Florestal. A decisão reconheceu que a Fundação Florestal não possui competência legal para gerir atividades de pesquisa científica e unidades experimentais, atribuições que devem permanecer sob responsabilidade do IPA.

“A APqC defende que a Semil reveja a distribuição das vagas previstas no edital, contemplando as unidades de conservação do interior e do litoral, de forma a assegurar que a recomposição do quadro científico determinada pelo STF resulte no efetivo fortalecimento da pesquisa ambiental em todo o Estado”, finaliza Lutgens. 

Sobre a APqC 

Fundada em 1977, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) representa servidores de 16 Institutos Públicos de Pesquisa do Estado, nas áreas de Meio Ambiente, Agricultura e Saúde. Além de incentivar o desenvolvimento da ciência, como instrumento de transformação socioambiental do Estado de São Paulo, a entidade tem como missão estabelecida em seu estatuto a defesa dos institutos e da carreira de pesquisador científico, criada em 1975, além do patrimônio público ligado à pesquisa, incluindo prédios históricos e fazendas experimentais. A entidade defende a recriação dos Institutos Florestal, de Botânica, Geológico e da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), extintos em 2020*.  

Os pesquisadores representados pela APqC atuam nos institutos:  

Meio Ambiente: Instituto Florestal*, Instituto de Botânica*, Instituto Geológico* (Integram a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, infraestrutura e logística).

Agricultura: APTA Regional, Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Instituto Biológico, Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Pesca, Instituto de Tecnologia de Alimentos, Instituto de Zootecnia (Integram a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento).  

Saúde: Instituto Adolfo Lutz, Instituto Butantan, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Instituto Lauro de Souza Lima, Instituto Pasteur, Instituto de Saúde, SUCEN*, Laboratório de Investigação Médica-LIM HC-USP (Integram a Secretaria de Estado da Saúde). 

Mais informações: apqc.org.br / Marcelo Nadalon: (11) 96632-6689

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