Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo

Atua na defesa dos Institutos Públicos de Pesquisa Científica do Estado de São Paulo

CNPq 75 anos: celebrar a ciência é escolher um projeto de soberania para o Brasil

Nem toda nação enxerga o conhecimento científico com o mesmo valor. Enquanto algumas veem na pesquisa um gasto a ser contido, outras a tratam como alicerce indispensável para o desenvolvimento autônomo. Foi exatamente essa visão estratégica que, em 15 de janeiro de 1951, deu origem ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). No último dia 23 de março, a instituição completou 75 anos, uma trajetória que consolida o Conselho como peça central da soberania brasileira.

Desde sua criação, o CNPq atua como elo entre o esforço individual de pesquisadores e as grandes necessidades nacionais. Apoiar um jovem cientista em iniciação científica, financiar uma rede de laboratórios ou estruturar programas de inovação são formas de transformar talento disperso em capacidade coletiva. Ao longo dessas décadas, o Conselho ajudou a formar gerações, consolidar áreas do saber e levar a ciência a todos os cantos do país, do semiárido à Amazônia.

A data de 23 de março de 2026 foi marcada por uma solene homenagem no Teatro Nacional, em Brasília, que reuniu cerca de 600 lideranças científicas, políticas e institucionais. Ministras de Estado, nove ex-presidentes do Conselho, dezenas de reitores e mais de 200 cientistas bolsistas estiveram presentes para testemunhar um momento de retomada e reconhecimento. O evento evidenciou não apenas as conquistas acumuladas, mas também o vigor renovado de uma instituição que, mesmo diante de desafios históricos, segue firme na defesa do conhecimento como bem público.

Na ocasião, foram anunciadas novas ações que ampliam o alcance do CNPq: redes estaduais de popularização da ciência, uma edição inédita do programa Atlânticas, mil bolsas para doutores pelo Profix, a Chamada Universal de 2026 e a Chamada Lélia Gonzales, voltada a pesquisas sobre desigualdades étnico-raciais. Cada um desses instrumentos reafirma o compromisso do Conselho com a interiorização, a diversidade e a conexão entre ciência e sociedade, pilares que, desde 1951, orientam sua missão.

Os números da gestão recente mostram um fôlego renovado. Em 2025, foram concedidas 98 mil bolsas — 25% mais que em 2022, e mais da metade delas ocupadas por mulheres. Nos últimos três anos, o investimento total atingiu R$ 7,9 bilhões, um crescimento de 42% em relação ao quadriênio anterior. A iniciação científica alcançou 54,1 mil bolsas anuais, enquanto o número de pesquisadores com bolsa de produtividade bateu recorde: 17 mil concessões.

A aposta na inclusão e na diversidade também ganhou força. Programas como o Conhecimento Brasil já repatriaram ou fixaram 600 pesquisadores no país, combatendo a evasão de cérebros. A maior chamada da história dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) destinou R$ 1,63 bilhão à rede, que agora soma 243 institutos dedicados a desafios complexos da sociedade. Políticas afirmativas, como a extensão do período de avaliação por maternidade e editais voltados a mulheres negras, indígenas, ciganas e quilombolas, ampliam o alcance e a justiça do fomento.

Celebrar os 75 anos do CNPq, completados em 23 de março, é reconhecer que ciência não é enfeite nem luxo. É condição para enfrentar mudanças climáticas, garantir segurança energética, construir uma indústria do conhecimento e reduzir desigualdades. O Conselho segue como um dos pilares do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, uma instituição que, ao valorizar o saber, afirma o compromisso do Brasil com seu próprio futuro.

Foto: Cerimônia de 75 anos do CNPq (Foto: Luara Baggi – AscomMCTI)

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