Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo

Atua na defesa dos Institutos Públicos de Pesquisa Científica do Estado de São Paulo

Frente Paulista convoca paralisação estadual para 20 de março em defesa do serviço público

Coletivo que reúne quase 50 entidades do funcionalismo aponta retrocessos e anuncia calendário de lutas contra o governo Tarcísio

A Frente Paulista em Defesa do Serviço Público, coalizão formada por quase 50 entidades representativas dos servidores estaduais, definiu em assembleia no último dia 29 de janeiro um contundente ato de resistência: uma paralisação estadual para o dia 20 de março. A decisão, tomada com a participação de diversas associações e centrais sindicais, surge como resposta a uma série de ataques e retrocessos promovidos pelo Governo do Estado de São Paulo.

A mobilização é anunciada como o pontapé inicial de um calendário de lutas unificado, visando fortalecer a categoria diante do que as entidades enxergam como um desmonte sistemático. “Para resistir aos ataques e avançar na conquista de direitos, é fundamental construir uma mobilização forte e garantir a unidade de toda a categoria”, defende a Frente em seu comunicado.

O documento elaborado pelo grupo elenca uma bateria de críticas à gestão estadual. No centro das reclamações está a relação trabalhista com o funcionalismo. A Frente acusa o governo de desrespeitar a data-base (01/03), sem apresentar compromisso com a reposição das perdas salariais, e de não cumprir a Lei Complementar 226/26, conhecida como “Descongela”, deixando servidores sem a implementação da lei e sem perspectiva de receber os valores retroativos.

A negociação, segundo o coletivo, está totalmente paralisada. “O Governo não dialoga, se recusa a receber representantes e não instala Mesas de Negociação”, afirma o texto.

Cortes, privatizações e crise na educação

Os ataques, conforme a análise da Frente, vão além das questões salariais e atingem a estrutura dos serviços públicos. A redução orçamentária em áreas essenciais como Educação, Saúde, Justiça e Segurança é um dos pontos destacados, assim como a política de privatizações, com a entrega de serviços estratégicos como a Sabesp e linhas do Metrô.

A Educação pública vive seu pior momento, denuncia o movimento. A Frente relata “o pior processo de atribuição de aulas dos últimos anos”, acompanhado de demissões em massa de professores, fechamento de salas e exclusão de estudantes. A militarização de mais de 100 escolas também é citada como parte da crise, com o coletivo reforçando o apoio à campanha “Fora Feder!”.

A gestão fiscal também é alvo de críticas duras. A Frente menciona a concessão de isenções fiscais suspeitas a empresas que estão sob investigação por corrupção. No setor de transportes, a criação de 58 novos pedágios no modelo free flow é apontada como opaca, sem transparência sobre a arrecadação e seu retorno à sociedade, e resultando na demissão de centenas de trabalhadores.

A insegurança pública é outro capítulo grave. O comunicado descreve uma segurança “deficiente e violenta”, marcada por crises, intensos confrontos e críticas à atuação da Polícia Militar. “O aumento da violência é visível e os roubos diários afetam toda a população”, alerta a Frente.

Oposição total à Reforma Administrativa

Por fim, o movimento se posiciona de forma veemente contra a Reforma Administrativa que o governador Tarcísio de Freitas tenta implementar no estado, taxando-a de “farsa”. A oposição a este projeto é apresentada como uma das bandeiras centrais da luta que se avizinha.

Com a paralisação de 20 de março, a Frente Paulista em Defesa do Serviço Público sinaliza o início de um período de conflito aberto com o governo estadual. A unificação das diversas categorias em um calendário comum de mobilizações busca criar força suficiente para frear, na visão dos servidores, um projeto que ameaça os direitos trabalhistas e a própria existência de serviços públicos de qualidade em São Paulo.

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