
É com imensa tristeza que a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) lamenta o falecimento de Oswaldo Fidalgo, figura emblemática da micologia e da etnomicologia no Brasil.
Natural de Recife (PE), nascido em 21 de maio de 1928, Fidalgo formou-se em História Natural pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1952. Após a graduação, ingressou no Jardim Botânico do Rio de Janeiro e, em 1959, passou a integrar o Instituto de Botânica de São Paulo, onde dirigiu a Seção de Criptógamas.
Ao longo de sua carreira, Fidalgo se dedicou de forma pioneira ao estudo dos fungos e à etnomicologia — ramo que investiga a relação entre comunidades humanas e fungos. Em 1965, ele publicou um trabalho que se tornou marco nessa área no Brasil. Na década de 1970, colaborou com o botânico britânico Ghillean Prance, e juntos investigaram os fungos utilizados na dieta dos Yanomami.
Em reconhecimento à sua trajetória, Fidalgo foi agraciado, em 2022, com a Medalha Alba Lavras, a mais alta honraria da APqC, pelas suas contribuições para a ciência pública e para a carreira de pesquisador.
Ainda segundo os relatos, ele também teve um papel importante na formação de novas gerações de micólogos, realizando estudos em herbários nacionais e estrangeiros.
Oswaldo Fidalgo foi uma figura central para a micologia brasileira. Sua contribuição abrangeu desde estudos taxonômicos até investigações etnomicológicas profundas. Segundo estudo publicado por Larissa Trierveiler-Pereira e Amanda Prado-Elias, seu trabalho é considerado divisor de águas para a etnomicologia nacional.
Neste momento de dor, prestamos nossos profundos sentimentos à família, aos colegas de pesquisa e à comunidade científica. O legado de Oswaldo Fidalgo reforça a importância da ciência pública e reafirma o valor dos institutos de pesquisa, tanto no Estado de São Paulo quanto em todo o Brasil.