Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo

Atua na defesa dos Institutos Públicos de Pesquisa Científica do Estado de São Paulo

APqC esclarece declarações do governador Tarcísio de Freitas sobre a pesquisa pública paulista

Nota de Posicionamento

Campinas, 11 de agosto, de 2026 – A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) esclarece informações apresentadas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante o debate da TV Bandeirantes sobre os Institutos Públicos de Pesquisa e a carreira de Pesquisador Científico.

Ao agradecer aos institutos da APTA pelo trabalho desenvolvido, o governador deixou de mencionar que o sistema paulista de pesquisa reúne 16 Institutos Públicos de Pesquisa, distribuídos entre as áreas de Agricultura, Saúde e Meio Ambiente. Além dos institutos ligados à Agricultura, fazem parte desse sistema instituições estratégicas como os institutos Adolfo Lutz, Butantan, Pasteur, de Saúde, responsáveis por pesquisas essenciais para a saúde pública, a produção de alimentos, a conservação ambiental e o desenvolvimento do Estado.

O governador também afirmou que promoveu a valorização da carreira de Pesquisador Científico. A Lei Complementar nº 1.435/2025, no entanto, extinguiu o Regime de Tempo Integral (RTI), a Comissão Permanente do Regime de Tempo Integral (CPRTI), alterou a forma de remuneração e ampliou de seis para dezoito os níveis de progressão funcional. As mudanças geraram insegurança jurídica, levando a Justiça de São Paulo a intervir, em ação civil pública proposta pela APqC, para impedir que o Estado exigisse a opção pelo novo regime remuneratório antes da regulamentação da carreira.

A APqC se posicionou contra o projeto desde sua apresentação à Assembleia Legislativa. Durante meses, pesquisadores participaram de audiências públicas, percorreram gabinetes de deputados, entregaram estudos técnicos, uma carta aberta ao governador e um abaixo-assinado com mais de 17 mil assinaturas pedindo a retirada da proposta. Apesar da importância da matéria para a pesquisa pública paulista, o governador Tarcísio de Freitas nunca recebeu a entidade para discutir o projeto.

Também não procede a afirmação de que houve valorização salarial da carreira. A lei concentrou reajustes nos níveis iniciais e deixou 16,4% dos pesquisadores sem qualquer reajuste, enquanto 42,3% receberam aumentos inferiores à média de 25,63%. Além disso, o governador não cumpriu o compromisso público de equiparar a remuneração dos pesquisadores paulistas à da Embrapa. Hoje, um pesquisador de São Paulo, no último nível da carreira, não recebe nem a metade do salário de um pesquisador da Embrapa, que ainda conta com benefícios adicionais por tempo de serviço, sexta-parte, titulação e outras vantagens.

Também não procede a afirmação de que os concursos públicos realizados decorreram exclusivamente da atual gestão. O concurso para pesquisadores da área de Agricultura foi autorizado no governo Rodrigo Garcia. Já o concurso para a área ambiental somente foi anunciado após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu o desmonte da estrutura de pesquisa ambiental no Estado de São Paulo.

Vale lembrar que o atual governo também tentou vender áreas experimentais utilizadas pela pesquisa agropecuária, medida contestada judicialmente pela APqC após a convocação, em cima da hora, de uma audiência pública. Com a ação da entidade, o Estado recuou da alienação após a Justiça determinar, entre outras medidas, a apresentação de um plano sobre os impactos para as pesquisas desenvolvidas em cada área. O governo Tarcísio também tentou ceder parte de uma unidade de conservação para a construção de um aeroporto em Itapetininga, procedimento igualmente paralisado por decisão judicial. Neste ano, um decreto do governador extinguiu mais de cinco mil cargos das carreiras de apoio à pesquisa, aprofundando a falta de servidores responsáveis por atividades técnicas, administrativas e operacionais essenciais ao funcionamento dos institutos.

A APqC reafirma seu compromisso com a defesa dos Institutos Públicos de Pesquisa, da carreira de Pesquisador Científico e da produção de conhecimento em benefício da sociedade paulista. Valorizar a pesquisa exige diálogo com a comunidade científica, respeito à autonomia dos institutos e políticas públicas construídas com a participação de quem dedica sua vida à produção de conhecimento para o Estado de São Paulo.

Sobre a APqC

Fundada em 1977, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) representa servidores de 16 Institutos Públicos de Pesquisa do Estado, nas áreas de Meio Ambiente, Agricultura e Saúde. Além de incentivar o desenvolvimento da ciência, como instrumento de transformação socioambiental do Estado de São Paulo, a entidade tem como missão estabelecida em seu estatuto a defesa dos institutos e da carreira de pesquisador científico, criada em 1975, além do patrimônio público ligado à pesquisa, incluindo prédios históricos e fazendas experimentais. A entidade defende a recriação dos Institutos Florestal, de Botânica, Geológico e da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), extintos em 2020*.

Os pesquisadores representados pela APqC atuam nos institutos:

Meio Ambiente: Instituto Florestal*, Instituto de Botânica*, Instituto Geológico* (Integram a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, infraestrutura e logística).

Agricultura: APTA Regional, Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Instituto Biológico, Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Pesca, Instituto de Tecnologia de Alimentos, Instituto de Zootecnia (Integram a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento).

Saúde: Instituto Adolfo Lutz, Instituto Butantan, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Instituto Lauro de Souza Lima, Instituto Pasteur, Instituto de Saúde, SUCEN*, Laboratório de Investigação Médica-LIM HC-USP (Integram a Secretaria de Estado da Saúde).

Mais informações: apqc.org.br / Assessoria de imprensa: Marcelo Nadalon (marcelo.nadalon@entre8.com.br)

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