Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo

Atua na defesa dos Institutos Públicos de Pesquisa Científica do Estado de São Paulo

São Paulo publica lista de pesquisadores aprovados em concurso para o Instituto Butantan

Apesar de ter mais de 500 cargos vagos nos Institutos ligados à Secretaria de Estado da Saúde, apenas 11 vagas foram abertas. Outros cinco Institutos estão sem concurso há mais de dez anos

Campinas, 23 de outubro de 2026 – O Governo do Estado de São Paulo publicou nesta sexta-feira (23), no Diário Oficial, a classificação final do concurso público para preenchimento de 11 vagas de pesquisador científico no Instituto Butantan, com salário inicial de R$ 9.052,47. O número de novos pesquisadores representa apenas 2,1% dos 512 cargos vagos existentes nos institutos públicos de pesquisa vinculados à Secretaria de Estado da Saúde (SES), segundo levantamento realizado pela Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC).

“A contratação de novos pesquisadores é importante, mas não retira São Paulo do risco de enfrentar um apagão científico nos institutos públicos de pesquisa da Saúde, inclusive no Butantan, porque a falta de reposição dos pesquisadores que se aposentam ameaça a continuidade dos programas científicos e o conhecimento acumulado durante décadas”, afirma Helena Dutra Lutgens, presidente da APqC.

De acordo com o levantamento da APqC, dos 854 cargos de pesquisador científico previstos em lei para a Secretaria da Saúde, apenas 342 estavam ocupados em dezembro de 2025. A situação também afeta carreiras de apoio à pesquisa, com 1.860 cargos vagos e apenas 253 profissionais em atividade.

“Há outra distorção no Instituto Butantan que ameaça a autonomia da pesquisa pública: a crescente dependência da Fundação Butantan, entidade privada que hoje responde por cerca de 90% da força de trabalho da instituição. A substituição de servidores concursados por profissionais contratados pela Fundação coloca em risco a continuidade de linhas de pesquisa que devem atender aos interesses da sociedade, e não a interesses privados”, aponta Lutgens.

Além da previsão de poucas vagas diante da necessidade, o concurso, anunciado em abril do ano passado, contemplou exclusivamente o Instituto Butantan, deixando de fora instituições como o Instituto Adolfo Lutz, Instituto Pasteur, Instituto de Saúde, Instituto Lauro de Souza Lima e Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, além dos laboratórios da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), instituição extinta em 2020.

Importância da pesquisa pública

A trajetória do Instituto Butantan demonstra a importância dos investimentos de longo prazo em pesquisa científica. A instituição foi responsável pelo desenvolvimento da Butantan-DV, primeira vacina contra a dengue em dose única aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em novembro de 2025, após anos de estudos e ensaios clínicos.

O Butantan também teve participação na produção da CoronaVac, utilizada durante a pandemia de covid-19, e mantém atividades de desenvolvimento e produção de vacinas e soros, incluindo antivenenos utilizados no tratamento de acidentes com serpentes e escorpiões. A instituição também participa do desenvolvimento de novas tecnologias e imunizantes contra doenças como chikungunya, além de pesquisas em biotecnologia, virologia e imunologia.

Para a APqC, esses resultados demonstram que a continuidade da pesquisa depende de equipes qualificadas, infraestrutura laboratorial e investimentos permanentes.

“O Butantan demonstra a importância da pesquisa pública para a saúde da população, com avanços como a vacina da dengue e a produção de soros. Mas São Paulo possui outros institutos igualmente importantes, que também precisam de pesquisadores e profissionais de apoio para dar continuidade às suas atividades”, destaca Helena.

Sobre a APqC

Fundada em 1977, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) representa servidores de 16 Institutos Públicos de Pesquisa do Estado, nas áreas de Meio Ambiente, Agricultura e Saúde. Além de incentivar o desenvolvimento da ciência, como instrumento de transformação socioambiental do Estado de São Paulo, a entidade tem como missão estabelecida em seu estatuto a defesa dos institutos e da carreira de pesquisador científico, criada em 1975, além do patrimônio público ligado à pesquisa, incluindo prédios históricos e fazendas experimentais. A entidade defende a recriação dos Institutos Florestal, de Botânica, Geológico e da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), extintos em 2020*.

Os pesquisadores representados pela APqC atuam nos institutos:

Meio Ambiente: Instituto Florestal*, Instituto de Botânica*, Instituto Geológico* (Integram a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, infraestrutura e logística).

Agricultura: APTA Regional, Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Instituto Biológico, Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Pesca, Instituto de Tecnologia de Alimentos, Instituto de Zootecnia (Integram a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento).

Saúde: Instituto Adolfo Lutz, Instituto Butantan, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Instituto Lauro de Souza Lima, Instituto Pasteur, Instituto de Saúde, SUCEN*, Laboratório de Investigação Médica-LIM HC-USP (Integram a Secretaria de Estado da Saúde).

Mais informações: apqc.org.br Assessoria de Imprensa: Marcelo Nadalon (11) 96632-6689

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