
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o governo federal jamais cogitou a demolição de laboratórios estratégicos do Instituto Adolfo Lutz (IAL). A declaração ocorreu durante reunião com a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) e o SindSaúde-SP, isolando politicamente a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que planeja o desmonte da instituição para dar lugar a um “hospital inteligente” gerido pela iniciativa privada.
O projeto de Tarcísio, orçado em R$ 1,9 bilhão, previa a destruição de laboratórios modernos e do patrimônio histórico de 134 anos do IAL. Enquanto o governo estadual tenta justificar o despejo de pesquisadores, o ministro Padilha defendeu que se busque outro local para o novo empreendimento, reforçando que qualquer projeto deve preservar integralmente a infraestrutura científica do Instituto.
Segundo Padilha, o projeto discutido inicialmente considerava apenas dois edifícios que, sob o entendimento técnico da época, não abrigariam estruturas estratégicas, o que contrasta com a tentativa de Tarcísio de avançar sobre áreas vitais do complexo.
O custo do desmonte e o risco à saúde pública
A ameaça de demolição ignorava o investimento recente de mais de R$ 100 milhões em reformas nos laboratórios. Além do prejuízo financeiro, o corpo técnico do IAL alertou que a transferência dos microrganismos de alto risco exigiria uma “operação de guerra” com escolta do Exército, custando outros R$ 446 milhões e paralisando diagnósticos fundamentais para a população.
Para parlamentares da oposição, como o deputado Carlos Giannazi (PSOL), a estratégia de Tarcísio segue a cartilha da “privataria”: precariza-se o serviço público e ameaça-se seu patrimônio físico para, em seguida, entregá-lo ao controle de Organizações Sociais (OSS). A falha de planejamento é evidente, uma vez que o governador não foi capaz de apresentar áreas alternativas no Complexo das Clínicas, optando pelo ataque direto a uma instituição de excelência internacional.
Fonte: Radar Democrático