Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo

Atua na defesa dos Institutos Públicos de Pesquisa Científica do Estado de São Paulo

Justiça suspende venda de prédio da Sucen após ação da APqC

A Justiça de São Paulo concedeu liminar, na última quinta-feira (19/3), suspendendo a autorização do Governo do Estado para a venda do prédio da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen), localizado na Rua Paula Souza, no bairro da Luz, região central da capital. A medida atende à ação civil pública movida pela Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), que questionou a legalidade da iniciativa e seus impactos sobre a pesquisa científica.

Na decisão, a juíza Paula Narimatu de Almeida, da 13ª Vara da Fazenda Pública, destacou a relevância da estrutura instalada no local, classificada como uma “estrutura científica complexa”, recentemente modernizada com investimento público significativo. O prédio, vinculado ao Instituto Pasteur, é destinado a atividades consideradas essenciais de vigilância epidemiológica e pesquisa em saúde pública.

A magistrada também apontou que a autorização para a alienação onerosa do imóvel — publicada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 10 de março — ocorreu sem a realização de estudos técnicos prévios que avaliassem os impactos institucionais, a realocação da infraestrutura científica ou a continuidade das pesquisas em andamento. Segundo a decisão, há indícios de violação ao artigo 272 da Constituição do Estado, que prevê a realização de audiência com a comunidade científica e a aprovação prévia do Poder Legislativo para a venda de patrimônio dessa natureza.

O Ministério Público já havia se manifestado favoravelmente à suspensão. Em nota, a APqC ressaltou que a medida judicial reafirma a necessidade de respeito à legislação e à participação da comunidade científica nas decisões que envolvem estruturas estratégicas para o desenvolvimento da ciência. “O governo de São Paulo tem adotado, de forma recorrente, medidas que entram em conflito com a Constituição Estadual, situação que já resultou em intervenções do Judiciário em outros episódios, como agora no caso dos laboratórios da Sucen”, afirmou a advogada da entidade, Helena Goldman.

Com a decisão, o processo segue em tramitação, e o Estado deverá apresentar sua defesa. Até nova deliberação, permanece suspensa qualquer tentativa de comercialização do imóvel, preservando-se, por ora, um importante patrimônio científico público.

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