Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo

Atua na defesa dos Institutos Públicos de Pesquisa Científica do Estado de São Paulo

José Eduardo Tolezano: pesquisa pública e estratégias para enfrentar a leishmaniose

Diretor do Centro de Parasitologia e Micologia do Instituto Adolfo Lutz, o biólogo José Eduardo Tolezano construiu sua trajetória científica no campo da parasitologia, com ênfase nas leishmanioses e em outras doenças causadas por protozoários. Pesquisador científico, também coordena a Rede Estadual de Laboratórios para o Diagnóstico das Leishmanioses e presta assessoria ao Ministério da Saúde, sendo uma das principais referências no tema no Estado de São Paulo.

Sua área de estudo ganhou ainda mais relevância nas últimas décadas com a expansão da leishmaniose visceral, antes vista como doença rural restrita ao Nordeste e hoje presente em centros urbanos de diferentes regiões do país. Tal enfermidade apresenta taxa de letalidade considerada alta no Estado de São Paulo, em torno de 8,5%. Desde o registro dos primeiros casos humanos em 1999, a doença avançou pelo território paulista, acompanhando eixos de ocupação e mobilidade.

É nesse contexto que o trabalho de Tolezano se destaca. Ao coordenar, por exemplo, um estudo com cerca de 10 mil cães em Votuporanga, demonstrou que o uso de coleiras com inseticida reduziu a taxa de infecção canina, com associação à queda de casos humanos. A pesquisa aponta caminhos mais eficazes e menos drásticos do que a eutanásia como estratégia de controle, evidenciando como a ciência pública, quando articulada a políticas consistentes, pode produzir impacto direto na proteção da população.

Leia a seguir a entrevista concedida por Tolezano ao portal da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC).

APqC – O que o levou, ainda na graduação, a escolher a parasitologia como área de atuação?

Tolezano – No tempo em que cursava o ensino médio, por volta do início dos anos 1970, eu acompanhava as notícias e reportagens sobre a praga da ferrugem nos cafeeiros. Não lembro a razão, mas numa dessas matérias havia referência ao Instituto Adolfo Lutz.

A partir desse episódio, busquei mais informações sobre o IAL e, então nos meus 14 anos eu dizia para meus pais que queria ser biólogo para trabalhar naquela instituição.

Por circunstâncias da vida, durante a graduação interessado em realizar estágios recebi, de uma colega de curso, a indicação que o IAL oferecia possibilidade de estágios. Infelizmente, naquele período estavam suspensas as autorizações para novos estágios. Entretanto estavam autorizados concursos para diferentes funções naquela instituição. Fui aprovado no concurso público para auxiliar de laboratório, sendo designado para trabalhar na área de Parasitologia do IAL. Na verdade, não foi uma “escolha iniciar na parasitologia”, porém, como percebi mais tarde, sinto que tenho prazer e alguma realização em estudar, atuar e trabalhar em todos os desafios que assumi ao longo de minha carreira, prestes a completar 50 de trabalho no IAL.

Logo no início no IAL, entendi que essa instituição, assim como os demais Institutos Públicos de Pesquisa do estado de São Paulo, era uma excelente escola, destacada formadora de especialistas, oferecendo oportunidade de aprendizados práticos que na graduação não alcançaria. Ao final de graduação fui aprovado em concurso público para Estagiário Bolsista, no próprio IAL, na área de Parasitologia. Nesse período iniciei estudos sobre as leishmanioses, especialmente sobre a leishmaniose tegumentar no Vale do Ribeira. A seguir fui aprovado no concurso para Biologista, para esta mesma área técnica e, a partir de 1994, meu cargo foi enquadrado e, assim permaneço na ativa, na série de classes da carreira de Pesquisador Científico.

Quando o senhor começou a estudar leishmaniose, a doença ainda era vista como rural. Em que momento ficou claro que ela avançaria para os centros urbanos?

Quando falamos da leishmaniose, de maneira simplista nos referimos às duas principais formas, a forma tegumentar (LT) e a forma visceral (LV). Cada uma delas apresenta uma gama de características e tipos clínicos diferentes. Em relação à forma tegumentar, conhecida como úlcera de Bauru desde a origem dos registros de transmissão observada em trabalhadores que ao final do último quarto do século XIX trabalhavam na abertura de estradas de ferro ou em projetos extrativistas para os quais havia a necessidade de ocupar espaços antes preenchidos com exuberantes coberturas vegetais. Assim, se dizia que avançavam com o desenvolvimento e a ocupação do território paulista, a partir de Bauru para o oeste e extremo oeste do estado. Dessa forma conferiu-se para a LT padrão de doença ocupacional quanto ao risco de transmissão, um padrão de transmissão que ocorria numa estreita relação com o ambiente intra e peri florestal.

Naquele momento entravam em contato com o ambiente natural em que se admite a circulação primitiva de Leishmania num ciclo com participação de vetores (transmissores) e reservatórios (hospedeiros) silvestres. Com a presença do homem e, de seus animais de interesse, principalmente cães e equídeos, logo passaram a serem diagnosticados casos, micro surtos e, mesmo epidemias de leishmaniose tegumentar. Por isso ficou conhecida como a “Leishmaniose Americana das Florestas”. No início de meus estudos sobre as leishmanioses, o desafio para saúde pública era com a forma tegumentar, principalmente as dezenas de novos casos humanos na região do Vale do Ribeira. Na primeira publicação científica sobre o tema, demonstramos que o perfil epidemiológico havia modificado. Se no passado as principais características apontavam para uma transmissão de caráter ocupacional, em adultos do sexo masculino e, em idade produtiva, no novo cenário epidemiológico que encontramos, ao final dos anos 1970, era para transmissão no domicílio e no peridomicílio humano.

Naquela época, alguns pesquisadores haviam demonstrado que as principais espécies dos vetores na Região do Vale do Ribeira apresentavam hábitos crepusculares e noturnos para a hematofagia. Então, como no período os casos humanos diagnosticados se distribuíam em indivíduos adultos de ambos os sexos, sem qualquer vínculo de trabalho com o interior das matas e, em crianças com idade inferior a 15 anos, foi possível concluir que a transmissão estava ocorrendo no intra e peridomicílio.

Quais fatores explicam essa urbanização da leishmaniose visceral no Estado de São Paulo?

Podemos dizer que vivemos num mundo em constante transformação. Assim também é o que vemos em nosso estado.Como mencionado na resposta anterior as alterações ambientais, em sua quase totalidade, decorrentes da ação antrópica sobre a paisagem natural, se constituíram em fator decisivo para a modificação do cenário de transmissão da leishmaniose tegumentar. No caso da leishmaniose visceral (LV), por décadas seguidas, a transmissão da LV esteve restrita a poucas regiões brasileiras. Em Mato Grosso do Sul estava restrita aos municípios de Corumbá e Ladário, no extremo oeste, próximos à divisa com a Bolívia.

No final do século passado e início do século atual, foi confirmada a autoctonia da transmissão dessa parasitose na área urbana de Araçatuba. Em 2006, publicamos artigo científico, resultante de tese de doutorado desenvolvida sob minha orientação, relacionando no tempo e no espaço a expansão da transmissão da leishmaniose visceral, no sentido transversal desde Corumbá, em Mato Grosso do Sul até a região de Araçatuba no estado de São Paulo. Nesse período o principal evento transformador da paisagem foi a construção do gasoduto Bolívia-Brasil, exatamente na mesma rota de disseminação inicial da LV em MS e em SP.

Importante destacar que o projeto de construção do gasoduto se deu com trabalhos sendo realizados simultaneamente em toda a extensão dessa obra. Duas foram as estratégias de trabalho, “os canteiros de obra” e as “frentes de trabalho”. Os canteiros foram estabelecidos alguns dos municípios ao longo dessa rota e, foi neles que sediavam equipes e equipamentos, ao passo que as frentes de trabalhos se deslocavam implantando as tubulações, até 20 km por dia. Nos municípios “canteiros de obra”, no período de 1998 a 2004, foram registrados os maiores números de novos casos da doença. Para a construção do gasoduto foram arregimentados centenas de trabalhadores oriundos muitos deles de regiões endêmicas para a LV. Outros estudos, mais recentes, relacionam rotas coincidentes com rodovias e ferrovias, para expansão para as regiões de Marília e de São José do Rio Preto.

A taxa de letalidade no estado é considerada alta. Onde estão hoje os principais desafios para reduzir esse índice?

A LV é uma zoonose de transmissão vetorial que conta com importante participação do cão como fonte de infecção e insetos vetores, os dípteros flebotomíneos transmissores do parasito protozoário Leishmania infantum. Desde mais de 60 anos, no Brasil, ao controle LV vinculam-se ações que integradas constituem o que são considerados os pilares do controle da LV, são eles: a) Diagnóstico precoce e tratamento de todos os casos humanos; b) Controle dos reservatórios caninos infectados pelo parasito e, c) controle dos flebotomíneos vetores. A isso se acresce, d) o manejo ambiental direcionado para a diminuição das condições favoráveis à colonização dos insetos vetores.

Então, reduzir a letalidade da LV, envolve a necessidade de ações complexas de vigilância e controle. Os principais desafios para a redução da letalidade da LV incluem a. Capacitação das equipes da atenção primária para identificar e diagnosticar rapidamente o caso humano e o tratamento em tempo oportuno evitando o óbito; b. Identificação da co-infecção com LV–HIV, que aumenta o risco de letalidade, fazendo-se necessário o uso de terapias combinadas uma vez que as duas doenças são co-fatores de agravamento entre si; c. Redução da toxicidades dos fármacos utilizados no tratamento da LV, especialmente em pacientes com outras co-morbidades .

Entretanto, é necessário atuar para reduzir ou mesmo interromper a transmissão do parasito L. infantum ao homem. Para tanto, é imprescindível o desenvolvimento de estratégias para a interrupção da transmissão da LV canina para garantir a redução das fontes vertebradas de L. infantum. Sobre isso, há uns 3 ou 4 anos atrás o Ministério da Saúde adotou incluir entre as ações de controle da LV canina o uso de coleiras impregnadas com inseticida para redução do contato dos cães com flebotomíneos infectados, seja pela ação inseticida ou pela ação repelente que tais coleiras propiciam.

O controle dos transmissores flebotomíneos consiste: a. Manejo ambiental para a eliminação das condições favoráveis à colonização desses insetos; b. Controle químico com a utilização de inseticidas de ação residual.

O estudo realizado com cerca de 10 mil cães em Votuporanga trouxe resultados expressivos. Como foi coordenar essa experiência e o que ela ensinou em termos de política pública?

Foi uma experiência muito importante, pois pela primeira vez foi possível estabelecer num município inteiro um estudo para a avaliação da efetividade das coleiras impregnadas com inseticida para o controle da LV canina, buscando assim, no médio e longo prazo reduzir ou mesmo interromper a transmissão da doença para os seres humanos. Naquela ocasião, Votuporanga contava com população estimada entre 80 e 90.000 habitantes, considerando estimativa de um cão para cada 4 ou 5 habitantes, estimava-se em aproximadamente 18 a 20.000 cães no município. Sendo um município de pequeno porte do interior paulista, Votuporanga apresentava elevados índices de prevalência e, mesmo incidência da transmissão da LV canina e elevado número de novos casos humanos e óbitos.

Nosso Projeto foi aprovado em edital do Ministério da Saúde, contando então com parcial fomento e fornecimento das coleiras impregnadas com inseticida; no nível estadual, a atuação do IAL com a equipe de pesquisadores e, também docentes e doutorandos do Departamento de Geografia da UNESP Presidente Prudente e, o nível municipal com equipes do Serviço de Controle de Zoonoses da Secretaria de Saúde. Durante o projeto, foram monitorados cerca de 16.500 cães, examinadas 25.700 amostras de sangue, considerando-se as perdas e as entradas de novos animais durante os quatro inquéritos sorológicos. Após sua finalização, verificou-se uma diminuição da prevalência e incidência de LV canina, assim como do número de casos humanos.

A diminuição dos casos caninos foi correlacionada positivamente aos casos humanos no período de 2011 a 2016. Além disso, a análise espacial dos resultados corroborou a diminuição ou desaparecimento da concentração de casos caninos e, consequentemente, de fontes de infecção nas áreas endêmicas à medida que avançaram no tempo e espaço as diferentes etapas de desenvolvimento do projeto. Apesar da drástica redução na incidência da LV canina, ainda permaneceram algumas áreas críticas. Os resultados delineados sugeriram a revisão de protocolos e manuais demonstrando a efetividade do uso das coleiras como medida preventiva e potencial no controle da LV.

Ainda em 2025, com base nos resultados obtidos nesse estudo e, associados com pesquisadores da UNESP – Presidente Prudente, do Instituto Oswaldo Cruz do Rio de Janeiro, da Curtin University, Perth, Austrália e, Saint Mary’s University, Canadá, publicamos artigo científico sobre identificação e predição dos padrões espaciais da LV canina, examinando as associações da doença com fatores ambientais e antropogênicos. Além disso, identificamos genótipos distintos do parasito, Leishmania infantum em toda a cidade, principalmente em áreas com maiores chances da doença. Em suma, nossos resultados destacaram como dados biológicos e ambientais podem ser integrados ao mapeamento para aprimorar a compreensão da dinâmica espacial da transmissão de doenças em áreas urbanas.

Por que a estratégia baseada exclusivamente na eutanásia de cães não tem apresentado os resultados esperados?

A importância da LV canina no Brasil reside no fato de que o registro da infecção nestes animais, geralmente precede a ocorrência de casos humanos, além de ser mais prevalente em cães do que no homem. As ações preconizadas pelo Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral, tanto no âmbito do Ministério da Saúde como no âmbito da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo indicam necessidade de realização de inquéritos soroepidemiológicos caninos para a identificação de animais infectados com a indicação de posterior recolhimento e eutanásia visando à diminuição dos reservatórios domésticos do agente etiológico.

Estas atividades demandam um grande esforço de órgãos municipais de controle de zoonoses, de laboratórios de Saúde Pública para sua operacionalização. Na maioria das situações torna-se difícil definir a logística e o cronograma de trabalho, pois os focos de transmissão pulverizam-se em diferentes regiões do município. Ainda assim, essas ações tem sido insuficientes para promoção da redução da incidência canina e humana e, mesmo para a contenção da expansão dos focos de transmissão para outras regiões e municípios.

Além disso, a visibilidade alcançada pela ação de identificação da infecção canina, o recolhimento e eutanásia dos animais soropositivos é cada vez mais contestada por diferentes segmentos da sociedade, inclusive na comunidade científica e consequente aumento de recusas tanto para o diagnóstico da LV canina quanto para a eutanásia dos infectados. Alternativas incluem a utilização de coleira impregnada com inseticida ou tratamento sob responsabilidade dos tutores e médicos veterinários para o seguimento desses animais. Como referido anteriormente, o uso das coleiras com inseticidas tem revelado resultados eficazes para a proteção dos cães, atuando como repelente e mesmo inseticida para flebotomíneos vetores.

Como funciona a Rede Estadual de Laboratórios para o Diagnóstico das Leishmanioses e qual sua importância para o enfrentamento da doença?

O Instituto Adolfo Lutz, um dos Institutos Públicos de Pesquisa do Estado de São Paulo completará, em outubro próximo, 136 anos desde sua criação, se caracteriza também por ser o Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) de São Paulo. Há alguns anos temos atuado no IAL com Sub-Redes de Laboratórios para diferentes agravos, por exemplo: tuberculose, meningites, entre outras. A Sub-Rede de Laboratórios para o Diagnóstico das Leishmanioses é uma dessas Sub-Redes.

O Laboratório Central na cidade de São Paulo é a referência estadual para esse diagnóstico e, os Centros de Laboratórios Regionais do IAL, distribuídos em 12 regiões paulistas, atuam como referências regionais em suas respectivas áreas dos municípios de sua abrangência. Realizamos os diagnósticos laboratoriais tanto para a LT como para a LV, humana e animal. Somos responsáveis pelo treinamento e capacitação das equipes que realizam diagnósticos laboratoriais para a LV nos municípios para os quais um ou mais tipos de exames esteja descentralizado. Realizamos supervisões técnicas nos Laboratórios municipais; também nos cabe realizar a logística de previsão e distribuição de kits diagnósticos fornecidos pelo Ministério da Saúde; nossas unidades regionais dessa SubRede realizam estudos e pesquisas sobre diferentes aspectos das leishmanioses.

Na sua avaliação, o que diferencia a pesquisa desenvolvida em institutos públicos como o Instituto Adolfo Lutz?

Na origem, no mundo, os Institutos de Pesquisa surgiram em razão da urgência de alcançar novos conhecimentos para demandas da sociedade. Na área da Saúde, os primeiros foram o Institut Pasteur, em 1888 em Paris; o British Institute of Preventive Medicine, em 1891 em Londres e, o Institute Für Infektionskrankhenten, em 1891 em Berlin. Não por acaso os primeiros Diretores dessas instituições foram renomados cientistas da época, Louis Pasteur, Joseph Lister e Robert Koch, respectivamente.

O surgimento dos Institutos Públicos de Pesquisa de São Paulo, a exemplo das instituições europeias, tiveram como razão de suas criações as demandas por novos conhecimentos nas áreas de meio ambiente, agricultura e de saúde. Em 1886, a partir da criação da Comissão Geográfica e Geológica da Província de São Paulo, com objetivos de constituir uma equipe multidisciplinar para planejar e executar pesquisas propícias para subsidiar a ocupação do território paulista, surgiram os Institutos Florestal, de Botânica, Geológico e o Geográfico e Cartográfico.

Na área de agricultura, o Instituto Agronômico de Campinas, herdeiro da Imperial Estação Agronômica de Campinas, criada em 1887, teve entre as razões de criação demandas de ordem econômica, histórica e geográfica. Na área da saúde, o Instituto Adolfo Lutz, que é a o sucedâneo do Instituto Bacteriológico, criado em 1892, teve como razão de sua criação as demandas por novos conhecimentos para a solução dos problemas de saúde da sociedade que buscava o desenvolvimento e interiorização da ocupação do estado com projetos de construção de estradas de ferro e projetos extrativistas colocavam os trabalhadores e demais populações pioneiras frente as novas doenças, da mesma forma que na capital surgiam novas doenças e epidemias.

Muitos dos Institutos Públicos de Pesquisa são anteriores às universidades. No passado, a forte presença e decisão política dos governantes do estado de São Paulo foram decisivos para a criação dos Institutos Públicos de Pesquisa do Estado de São Paulo, tendo como premissas que a solução dos problemas seriam mediadas pela pesquisa científica e tecnológica; seriam essencialmente instituições de pesquisa;  promoveriam a conversão dos conhecimentos em produtos de utilidade; realizariam a difusão dos conhecimento adquiridos; atuariam na formação de novos pesquisadores e especialistas; realizariam treinamentos e reciclagem de técnicos e, com sua atuação promoveriam a inclusão social.

Ainda que alguns dos itens acima referidos não estivessem explicitamente referidos nos atos de sua criação, não tem sido outras as atribuições e respostas oferecidas pelos Institutos Públicos de Pesquisa do Estado de São Paulo para a sociedade paulista e brasileira. Muitas das vezes os resultados produzidos por essas instituições superam os limites do território nacional. Infelizmente, diferentemente do que se observou no passado, quando da criação dos Institutos, nas últimas décadas tem faltado àquela mesma “forte presença e decisão política dos governantes do estado de São Paulo”. Hoje, nos Institutos Públicos de Pesquisa preocupa a drástica redução de seus quadros de Pesquisadores, de Assistentes Técnicos e pessoal das carreiras de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica.

Entrevista concedida a Bruno Ribeiro, para a APqC, em 10 de março de 2026

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