
Pesquisadores de São Paulo criticam o enxugamento da estrutura da administração pública promovido pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado (APqC) alerta que a extinção de cargos atinge institutos de pesquisa pública, precarizando ainda mais as condições de trabalho da categoria.
No dia 27 de fevereiro, o Estado publicou o Decreto 70.410 que, ao todo, extingue 67,8 mil cargos. Do total, 33,5 mil estavam vagos e outros 34,3 mil deixarão de existir. Na Secretaria da Agricultura, foram 3,379 mil.
Apenas nos institutos públicos de pesquisa, a APqC calcula que o decreto elimina 5,280 mil cargos, com prejuízo às áreas de agricultura, saúde e meio ambiente.
Os ligados à agricultura foram os que perderam mais, nas contas da entidade: 2,808 mil postos em instituições como Instituto Agronômico (IAC), Instituto Biológico (IB), Instituto de Economia Agrícola (IEA), Institutos de Pesca (IP), Tecnologia de Alimentos (Ital) e de Zootecnia (IZ), além da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta).
“A gente vem sofrendo com esvaziamento por falta de concursos, mas ainda podia ter uma expectativa. Agora, com a extinção desses cargos, não tem mais”, afirma a presidente da APqC, Helena Dutra Lutgens.
Na pesquisa agrícola, a associação critica, principalmente, a extinção de postos em funções de apoio, como técnicos e assistentes. São profissionais importantes para dar mais eficiência ao trabalho e não sobrecarregar o pesquisador.
Diretor da entidade e pesquisador de melhoramento de plantas, Joaquim Adelino Filho, pontua que o decreto não extingue todos os cargos, mas o que fica está aquém da demanda. Ele afirma que a pesquisa agrícola tem 151 técnicos de apoio na ativa e tinha mais 760 cargos vagos. A medida extinguiu 669 postos no total.
“O pessoal foi se aposentando e não foi reposto. A gente vai perdendo a capacidade de trabalho e não consegue fazer os experimentos que precisa”, lamenta.
Vice-presidente da APqC, Addolorata Colariccio alerta que a falta de pessoal coloca em risco a manutenção dos bancos de germoplasma dos institutos de pesquisa agrícola do Estado.
A Associação estuda a possibilidade de ir à Justiça contra o decreto.
Com informações do Globo Rural